Segunda-feira, 3 de Maio de 2010
Circo Portugalis

Entrem, entrem, senhoras e senhores.

Vejam o maior espectáculo do mundo.

Só 7500 euros por cabeça!
Quem não tem cabeça não paga!

Meniiinos e meniiiinas!::::::

O circo só com palhaços!!!
Ninguém escapa!!
Os artistas? Palhaços!
Os animais? Palhaços!
Os empregados? Palhaços!
Os desempregados? Palhaços!
Os reformados? Palhaços!
Os analfabetos? Palhaços!
Os licenciados? Palhaços!
Os assim-assim? Palhaços!
Os eleitores? Palhaços!
Os eleitos? Palhaços!

Entrem, entrem, não percam tempo!
Não estamos para enganar nem 1, nem 2, nem 3,... mas todos de uma vez!

Entrem, aproveitem.... Este ano ainda há função (se calhar).

Para o ano, não sabemos!



publicado por amexilhoeira às 17:38
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Segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
NÃO É JUSTO ! ! !

 

 

 

Não é justo!

 

Num país como o nosso, pequenininho, a atravessar uma crise crónica (já nã é atravessar. É estagnar na crise) ainda nos vêm retirar um dos poucos meios de resistir contra a adversidade?

Não é que lá para a zona de Óbidos encontraram uma vivenda com explosivos, detonadores e os passaportes de 2 presumíveis parvos, digo, etarras?

 

As autoridades portuguesas dizem que eram cerca de 700 kg. Porém, o Ministro do Interior espanhol diz que eram 1500 kg (pelos vistos está melhor informado que nós). Afirma ainda que aquela vivenda era uma autêntica fábrica de bombas terroristas.

A discrepância do peso não me incomoda muito. Alguém seria muito bem capaz de desviar umas bananas de dinamite para ir pescar à foz do Arelho, que fica logo ali e não incomoda ninguém, só os peixes e os guardas-florestais...

 

Mas encerrarem-nos uma fábrica! Inadmissível.

E logo uma vocacionada para a exportação para Espanha, que como todos nós sabemos é o nosso maior mercado externo? Inconcebível.

E depois vem o nosso Primeiro que diz com todas as letras que temos que pensar grande, que temos que expandir.

E fecham-nos a fábrica!

 

Não é, decididamente, justo!

 

 



publicado por amexilhoeira às 01:09
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Quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
O Portugal dos Mesquinhos

É, meus amigos, estamos em Portugal.

Um país de brandos costumes, de gente acolhedora, simpática, enfim, tantos adjectivos de sinal positivo quanto o sol quentinho que nos foi destinado e que tantos turistas atrai.

Somos também um povo solidário. Quando alguma desgraça acontece estamos geralmente na linha da frente com pessoal equipado com muita boa vontade e com algum material, muitas vezes escasso para as necessidades sentidas.

São episódios demonstrativos o terramoto da Turquia, o tsunami do sudeste asiático e, agora, o terramoto no Haiti.

As nossas ONG partiram de imediato, com o material disponível na ocasião.

O facto de que o avião estava um bocadinho avariado (era só um bocadinho) não é relevante. Afinal, aconteceu o mesmo com outro aparelho semelhante da Força Aérea dos States. A única diferença é que eles tinham um C-17 para substituir de imediato e nós só tínhamos um pequeno Cessna estacionado no aeródromo de Tires, com 4 lugares mas sem capacidade para levar bagagem.

Quanto à reconhecida, diria mesmo imprescindível, falta de organização das equipas portuguesas, nada a dizer. Somos assim e pronto! É, aliás, graças à nossa espantosa capacidade de desorganização que somos mundialmente conhecidos por uma característica única para a qual não existe palavra equivalente em qualquer outra língua: o DESENRRASCANÇO.

E agora que já abordámos os temas recursos humanos e materiais, proponho concentrarmo-nos nos recursos financeiros. Somos um país pequenino, com poucos recursos naturais, portanto, também o que nos é pedido não é igual ao que outras nações podem dar.

Como tal, o povo uniu-se uma vez mais e, numa onda de solidariedade lá recorreram aos seus parcos recursos e contribuiram, conforme puderam, para a causa humanitária de apoio às vítimas do Haitì. E aqui entra, na minha opinião, o que é obsceno, miserabilista e mais outros adjectivos menos próprios que agora não me lembro.

Como todos sabemos, a participação neste esforço é voluntária e cada um contribui conforme pode. E, se nos facilitarem os meios para fazer os donativos, melhor (nós, portugueses, gostamos de nos acomodar, mas só um bocadinho e só às vezes). Daí que tenha surgido o "tele-donativo". Mais não é que uma chamada de valor acrescentado, onde o dinheiro acumulado será entregue a uma ONG - neste caso a AMI, instituição de enorme carácter e abnegação, constituída por profissionais anualmente esquecidos por volta do 10 de Junho - se alguém merece uma condecoração são, sem dúvida, eles.

Quem também merece medalhas, por exemplo A GRANDE ORDEM DA VERGONHA NACIONAL e A COMENDA DA PRESTAÇÃO MISERÁVEL DE SERVIÇOS são o Ministério das Finanças e a PT Comunicações respectivamente.

Mas porquê, perguntará o cidadão mais distraído ou menos atento.

A explicação começa na descrição da oferta: faça o seu donativo no valor de 60 cêntimos para a causa.

Até aqui, tudo bem. Como diz o povo, grão a grão enche a galinha o papo.

Mas, feita a boa acção, vem a factura: o IVA e a cobrança do serviço: o que se iniciou como sendo 60 cêntimos acaba em 1 euro e 10 cêntimos, ou seja, quase o dobro!

E o que antes era um acto de solidariedade tornou-se a tal vergonha de um aproveitamento ignóbil dos sentimentos dos portugueses.

Sou cobrado pela PT e taxado pelas Finanças para colaborar com apenas 60 cêntimos.

Revolto-me quando se organizam espectáculos de solidariedade e o apresentador diz, com ar triunfante, que já amealharam 60 000 euros para a AMI.

Agora, é apenas uma questão de fazer contas: se a chamada fica no total em 1 euro e 10 para doar 60 cêntimos, então quer dizer que, para serem doados 60 000 euros, foram na realidade cobrados 110 000 euros dos quais 12 000 para pagamento de IVA e 38 000 euros para pagamento de serviços à PT.

Que esta prática se aplique a programas radiofónicos ou televisivos, não comento. Cada cidadão tem o direito de escolha, pode não se importar de dispor de mais algum para os abutres, só para votar no concorrente do seu agrado, ou para consultar um horóscopo, ou para o que seja. Aqui, a situação é um pouco diferente: há uma crise humanitária, um dos países mais pobres do mundo assolado por um cataclismo e os cidadãos, movidos pelo espírito solidário, contribuem sem sequer pestanejar.

Eis senão quando surgem, caídos de pára-quedas, os famigerados impostos e serviços, aproveitando-se ignobilmente do sofrimento de terceiros.

Confesso: tenho vergonha de ser cidadão de um país onde o exemplo vindo de cima é o roubo descarado de quem age de boa-fé.

Afinal, esta é a bitola pela qual nos regemos.

Eu, cá por mim, faço transferências para as contas de solidariedade onde ainda me dão um papelucho para descontar em sede de IRS.

Ora toma lá p'rás espertezas saloias!



publicado por amexilhoeira às 01:01
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
Já cá faltava esta

Claro que já faltava n' amexilhoeira uma opinião sobre a famosa gripe A.

 

Tudo começou no México. Chamaram-lhe "gripe suína".

 

Depois os israelitas, que não podem comer, tocar ou sequer pensar em porco, propuseram alterar o nome de gripe suína para gripe mexicana.

 

Os mexicanos é que não estavam pelos ajustes porque imaginaram que todo o mundo pensaria que no México só existiriam porcos suínos, ou então que as pessoas mantinham relações íntimas com estes últimos, compartilhando nomeadamente a escova de dentes.

 

Os cientistas, como sempre, borrifaram-se no comum dos mortais e resolveram chamar-lhe H1N1, tal qual baptizassem uma nova estrela nos confins do Universo que´tal como a gripe se está a expandir. Vão ver que ainda um destes belos dias teremos uma pandemia de Universo! 

Vão ver!...

 

Felizmente, a Organização Mundial de Saúde interveio e, numa incrível homenagem ao povo português, resolveu chamar-lhe Gripe A.

 

De ASNO.

 

No último relatório da OMS vem referido que a gripe já fez um total de 1154 mortos por esse mundo fora., desde Abril.

 

Mas nós, através da nossa belíssima (desculpem-me, não consigo encontrar outro adjectivo mais apropriado) comunicação Social, somos informados diáriamente do imenso nº de casos que acontece no Portugal dos Asnos:

369

Eu repito, por extenso: trezentos e sessenta e nove!

Desde Maio!

 

Mas casos fatais? é simples: Zero! porque a gripe é dos suínos e não dos burros!

 

Não seria interessante dizer, escrever, comunicar: OK, desde Maio tivemos 369 casos.

Destes, uns tantos curaram-se sózinhos, em casa.

Outros, foram ao hospital de referência e foram mandados para casa.

Neste momento, encontram-se x doentes, y internados, z em risco de vida.

 

Ná, dava um nº muito pequenino, talvez representativo da nossa pequenez.

E o pior é que essa pequenez reflecte-se nas audiências, na venda de jornais, na venda de medicamentos, na promoção de farmácias, no estabelecimento do pânico, que passaria a ser um simples receio....

 

Realmente, somos mesmo Asnos!

 Mas que temos a mania que somos uns garanhões, isso temos!



publicado por amexilhoeira às 22:29
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Finalmente foi descoberto...

Sim, finalmente foi descoberto!

Hurra, Viva, Parabéns e outras expressões de regozijo como YESSSS!

 

Finalmente foi descoberto o indivíduo que mais processos originou em todas as polícias desta mexilhoeira que é o nosso belo País à beira-mar plantado (se calhar é por isso que existem tantos mexilhões, por (me)termos tanta água).

 

Mas nem só as polícias foram envolvidas. Também ministérios, governos, empresas, procuradores-gerais e provedores globais foram afectados por esse ignominioso indivíduo que utilizou vários métodos para delatar tudo o que era suspeitoso, ou não, neste país.

 

Sim, porque tantas vezes foram aqueleas onde havia fumo e fogo, como aquelas em que nem fumo nem fogo.

 

Sabem-se poucas coisas sobre este facínora: é solteiro, ou pelo menos é solitário. Tanto pode ser alto, como baixo. É gordo, ou vice-versa. O cabelo, se não for calvo, pode ser abundante ou ralo. Os olhos são o mais fácil de identificar. são 2 e ficam situados na cara, separados pelo nariz e logo abaixo das sobrancelhas. Usa essencialmente duas técnicas diferentes para desmascarar os criminosos facínoras bandalhos malvados (repararam que não coloquei vírgulas entre os adjectivos? foi mesmo de propósito): ou a carta, escrita em papel, enviada pelos correios e geralmente sem remetente ou o telefonema, com a voz disfarçada por um lencinho de linho bordado e invariavelmente de curta duração, não vá alguém rastreaer a origem da chamada.

 

Todas as forças de segurança o conhecem. Suspeita-se que as empresas de segurança privadas também tenham contactos frequentes com ele.

 

E este foi um segredo tão bem guardado que só agora se descobriu o nome do maior precursor de diligências, pesquisas, investigações que geralmente terminam em grandes processos mediáticos, empresariais, cíveis, criminais e judiciais.

 

Aposto que todos estão desesperadamente ansioso por conhecer o nome de quem tanto sobre tudo sabe.

 

Não os farei esperar mais!

 

Aqui vai, então. Depois não digam que não vos avisei.

 

O nome de tão excelsa personagem: ANÓNIMO CONFIDENTE INCÓGNITO

 

Nunca se viu tanto trabalho produzido pelos agentes fiscalizadores como quando o Anónimo (desculpem-me tratá-lo pelo primeiro nome, embora não tenha andado com ele na escola, acho eu) manda uma carta ou faz um telefonema.

 

Se um qualquer mexilhão, perdão, cidadão bem identificado faz uma denúncia ou uma queixa, acaba ele próprio invariavelmente prejudicado, quanto mais não seja porque está logo ali à mão para se tornar bode expiatório.

 

Mas quando é o Anónimo.... Alto lá! Põe-se logo todos de anteninhas no ar porque esse sim, é fiável e alguma cabeça acabará por rolar (credo, até pareço a Maria Antonieta).

Se a carta não vem assinada, logo todos adivinham: lá vem trólitada, e da grossa, porque a carta é do Anónimo!

 

E esse é como as moscas: onde há trampa, está o Anónimo, logo pronto a remexer a caca com uma carta, fazer levantar o mau-cheiro e cair fora de mansinho para que não se descubra a sua secreta identidade.

Depois, nas profundas de qualquer sub-cave, escura e mal-iluminada, com cheiro a bafio e ratos do tamanho de autênticos ratos a passarem-lhe pelas pernas, soltará a sua maquiavélica e tenebrosa gargalhada MUAHAHAH MUAHAHAHAHAH, mas baixinho, não vá alguém ouvir.

 

Não vos maço mais!

Mas pensem nisto: Um país que anda para a frente na base do boato, do diz-que-disse, do eu sei mas não digo quem foi nunca passará da mediocridade porque o Anónimo não tem outras armas que não essas: o denegrir, o difamar, para poder subir utilizando os cadáveres das suas vítimas, pessoas honestas (estúpidas, que confiam nas pessoas) e desprevenidas, que acabam por ter os seus potenciais anulados em favor de quem não sabe, mas inventa. E bem!

De tal modo que acabam por ocupar os lugares de decisão mas sem competências para os manterem, entretendo-se assim a aumentar o caudal de vítimas incautas que poderiam demonstrar a incompetência dos ANÓNIMOS que pululam por esse país. E que no fim são recompensados!

Como eu gostaria também de ser ANÓNIMO....



publicado por amexilhoeira às 21:29
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
Acautele-se, Senhor Bastonário

Hoje, Senhor Doutor Marinho Pinto, Exmº Bastonário da Ordem dos Advogados, deu mais um passo para a sua perdição.

De tudo quanto já afirmou desde que ocupou o ingrato cargo (sabe, quem lida com advogados...), de todas as polémicas que já patrocinou, a de hoje, embora repetida mas reformulada, é de se lhe tirar o chapéu.

De facto, uma das vergonhas deste país continua a ser a Justiça. Essa mesma, onde todos os valores são invertidos. Invertidos? interrogais-vos talvez admirados. Sim, invertidos! Dou algumas razões que todos conhecemos:

  1. Na Constituição da República Portuguesa, na sua PARTE I - DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS, no TÍTULO II - Direitos, Liberdades e Garantias, CAPÍTULO I - Direitos, liberdades e garantias pessoais, ARTIGO 32º - (Garantias de processo criminal), § 2. Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com com as garantias de defesa. Pois, mas o livro citado, a Constituição, é apenas um fait-divers que até é bastante giro para nos afirmar um estado de Direito. A verdade é que um arguido, quando entra numa sala de audiência de um qualquer tribunal, é considerado CULPADO no máximo que a lei permita. O seu trabalho, e o do seu defensor, é apenas tentar minimizar o grau em que é culpado, cabendo-lhe a ele o ónus da prova para a sua defesa quando deveria ser o contrário: a Acusação a ser obrigada a produzir prova para além de qualquer dúvida. Cá temos uma primeira indicação que a Justiça neste país se encontra invertida.
  2. Ainda recorrendo aos Artigo e parágrafo anteriores, sublinho "...,devendo ser julgado no mais curto prazo compatível...". É aqui que se apresenta relevante a idéia do Sr. Dr. Marinho Pinto: É obsceno que, num país onde os processos se arrastam, arrastam, arrastam, arrastam, depois há um engano de comarca e o tribunal anterior torna-se de repente incompetente, e as coisas se arrastam, arrastam, arrastam, e depois um dos envolvidos não é notificado porque se enganaram na morada de um dos envolvidos, e as coisas se arrastam, arrastam, arrastam... Como é que num país onde toda a Justiça demora tanto tempo se parem as instituições para férias no Natal, na Páscoa e mais um mês em Agosto? Quantas coisas poderiam ser resolvidas nesses tempos? É que o resto da vida não pára nesses períodos e continuam a surgir queixas, crimes e todo o tipo de burlões e vilões que acabam por entupir ainda mais o sistema. mais uma indicação que A Justiça se encontra invertida.
  3. Forças de segurança, hospitais e demais serviços de saúde, forças armadas, finanças e penso que não errarei se afirmar que toda a restante população não pára por períodos tão prolongados. Nem mesmo a Polícia Judiciária que, como todos sabemos, está sob a alçada do Ministério da Justiça. Mais uma vez a inversão da Justiça.
  4. Poderão ainda afirmar que o trabalho da Justiça é penoso, para além do humanamente suportável. E o que dizer dos polícias e guardas que se deparam com uma cena de crime? Ou das equipas de Emergência Médica que intervêm no local? Ou dos que trabalham em serviços de Urgência, onde se tem que lidar com a morte todos os dias? Ou os Técnicos de Serviço Social que se deparam com situações que nem Edgar Allan Poe conseguiu sequer vislumbrar? Onde está a Justiça nisto tudo?

Comecei com o senhor Bastonário da Ordem dos Advogados.

Termino com um aviso para si, Senhor Doutor.

Tome cuidado, muito cuidado.

Mexe com coisas que algumas pessoas podem achar demais. e o seu corpo cadáver será distribuído por todo esse país que nem nenhum mais bem afamado CSI conseguirá encontrar uma mais pequenina moléculazinha do seu ADN para o identificar.

E nenhum português gostaria de o perder. O Senhor é para o Direito o que o Jorge Nuno Pinto da Costa é para o Futebol e o sr. Dr. Alberto João Jardim é para a Política.

 

Só esta tríade é capaz de dar um pouco de ânimo às almas (cada vez mais) deprimidas desta imensa mexilhoeira que é Portugal!



publicado por amexilhoeira às 22:37
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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Sr. Ministro Vieira da Silva...

MENTIRA !

Pois é, sr. ministro.

É tudo quanto me ocorre dizer depois de ter ouvido a sua sábia alocução no Jornal da Noite da RTP1 de hoje, 29 de Junho de 2009.

Se não se lembra (afinal é assim mesmo: o que político disse ontem já hoje esqueceu. Não acredita? Vejam o exemplo do seu colega Mário Lino - jamais, jamais, jamais...), como dizia, se não se lembra, eu relembro-o: A sra. jornalista que o entrevistava dizia que a maior parte da população portuguesa vive à justa acima do limiar de pobreza, com menos de 900€/mês por agregado familiar.

O sr. Ministro (a propósito, sabe que a palavra ministro deriva de minister, que significa servir?) respondeu, como se tivesse conhecimento de alguma coisa, que a culpa disso é do baixo nível de formação dos trabalhadores!

Deixe-me relembrá-lo de algo: O seu ministério é, por coincidência, o MINISTÉRIO DO TRABALHO E DA SOLIDARIEDADE SOCIAL!

E, como diz o filósofo, com os números brinca-se, permita-me também que eu, piqueno mexilhão, brinque com os ditos números.

Sabe há quanto tempo estão em curso os RVCC (Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências)? Sabe que esses cursos atribuem equivalências aos 9º e 12º anos de escolaridade?

Sabe quantas pessoas já passaram por esses processos formativos?

Sabe quantas pessoas já passaram por outros cursos de carácter profissionalizante de NÍVEL 2 e NÍVEL 3, que, por acaso, também atribuem equivalência aos 9º e 12º anos respectivamente?

Francamente, eu não sei. Mas o sr. dr. ministro Vieira da Silva deveria saber uma vez que o seu ministério tutela estas iniciativas.

Logo,

MENTIRA !

O sr. ministro não pode dizer alarvidades como essa que disse na televisão.

Sabe, estamos todos fartos de ser tomados por parvos.

Dou-lhe outro exemplo da baixa qualificação de um segmento de trabalhadores portugueses, todos com a mesma profissão.

Os enfermeiros.

Sim, senhor ministro do Trabalho e da Solidariedade Social!

São os únicos contratados do Estado Português, com habilitações profissionais ao nível da licenciatura (pré-Bolonha), que não têm um vencimento compatível com o grau académico que possuem.

É a solidariedade preconizada por Georges Orwell na sua obra "O Triunfo dos Porcos": Todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais que outros.

Os enfermeiros são os outros....

E, sem lhe dar outros números, continuarei a brincar com eles.

Quando termina o período do fundo de desemprego, a pessoa deixa a categoria de desempregada e passa para a categoria de inactiva.

Foi descoberta a pólvora!

Eis como se baixam as taxas de desemprego.

Não é dando emprego aos desempregados. É retirá-los do circuito apelidando-os de inactivos. O ideal seria a Solução Final preconizada pelo III Reich mas compreendo que isso daria um pouquinho nas vistas.

Ah, podeis alegar, os desempregados não trabalham porque não querem porque empregos há muitos, tal como chapéus.

Só lhe digo 2 coisas: a primeira é que o desempregado, antes de o ser, era empregado (já pareço a Manelita Moura Guedes, sei lá). Nessa condição, de empregado claro, tinha expectativas, aspirações, objectivos. Fazia a gestão do seu património na medida das suas possibilidades. Algo de extraordinário? Não. Penso que algo de sensato.

Mas, depois de se tornar desempregado (e tramar as estatísticas por um período de tempo, até se tornar inactivo) tem que continuar a cumprir as obrigações que assumiu enquanto empregado, mas com a mixaria dada no fundo de desemprego como orçamento. Famílias endividadas? Pergunto-me porquê? Famílias sobreendividadas? Isso existe? Falência das famílias?

MENTIRA ! Sr. Ministro. Isso é por culpa dos desempregados QUE NÃO QUEREM TRABALHAR!

Há quanto tempo não vai o sr. ministro a um centro de emprego, a uma UNIVA ver as ofertas de emprego que por lá proliferam: "Tapada de Mafra precisa de biólogo experiente, que fale pelo menos 3 línguas. O horário é a tempo inteiro e compreende sábados domingos e feriados. Oferecem-se 550€ como remuneração mensal, a recibo verde". Este é apenas um exemplo que vi há pouco tempo. Devo-lhe realçar, sr. ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, que a licenciatura em Biologia neste nosso país é claramente sinal de baixa qualificação profissional.

Mas veja as restantes ofertas: Em Torres Vedras, Mafra e Ericeira não vi uma única superior a 650€!

Ainda conheço uma outra razão para a baixa qualificação dos trabalhadores portugueses. É a não contratação de pessoal qualificado para postos de trabalho que o requerem e a sua substituição por reformados, pensionistas que fazem na mesma o trabalho mas a custo de 1 Ordenado Mínimo Nacional.

Dou-lhe um pequeno exemplo, sr. ministro do Trabalho.

Quantos licenciados em Turismo trabalham na mais rentável indústria deste país?

Sabe, sr. ministro?

MENTIRA !

Não sabe o senhor, nem ninguém sabe.

 

Sabe, sr. ministro Vieira da Silva, quantas mulheres sofreram represálias por serem mães? Quantas foram despedidas por serem mães? Quantas fizerem testes de gravidez antes de poderem ser admitidas num emprego? Quantas assinaram um qualquer documento em como se comprometiam a não engravidar enquanto prestassem funções numa qualquer dada empresa?

MENTIRA !

Não sabe o sr. ministro e duvido até que alguém o saiba.

Nem sei como consegue aceitar o título de Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, porque vigilância do trabalho nada se vê e Solidariedade Social nem para as árvores, com a quantidade de papel que V.Exas exigem nem que seja para espirrar!

Mas deixo-vos uma sugestão.

Criem um organismo (sempre serão mais alguns jobs for the boys) cuja finalidade seja a de fiscalizar as REAIS condições de trabalho que se vivem por esse país fora. Apliquem coimas e contraordenações (vão ver a dinheirama que vai entrar nos cofres do estado) aos empregadores prevaricadores (sim, aos patrões, esses mesmos)

Até lhe posso sugerir, sr. ministro Vieira da Silva, um nome para tal organismo:

FITA - Fiscalização Interna do Trabalho Assalariado!

 

Ponha este organismo rápidamente a funcionar e vai ver a fita que isto vai dar, sr. ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, com a devida vénia!

 

 



publicado por amexilhoeira às 20:41
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Terça-feira, 17 de Março de 2009
O VOTO É A ARMA DO POVO

Quando era mais miudo, aconteceu algo neste país de mexilhões que teve um nome bastante engraçado: o Verão Quente de 1975.

Era uma época em que tudo o que se dizia, se não de esquerda pura, era políticamente incorrecto.

Por outro lado, quem falasse apenas sobre extrema esquerda era considerado pura e simplesmente algo que variava entre marxista, leninista ou estalinista.

Enfim, tanto se era preso por ter cão como por não ter e o resultado era quase sempre o mesmo: quem pintava paredes, acabava por andar à lambada.

Quem colava cartazes acabava por andar à lambada.

Quem não tinha nada para fazer acabava por andar à lambada.

O Verão Quente de 1975 tinha como desporto nacional o andar à lambada, ponto final.

Nessa altura, existia também um grupo denominado de Anarquistas.

Esses limitavam-se a mandar umas bocas, algumas mais ou menos consistentes ou coerentes, outras nem por isso.

Lembro-me de uma em particular:

"SE O VOTO É A ARMA DO POVO, NÃO VOTES PORQUE FICAS DESARMADO"

 

Agora, que estou mais velhote, já não entendo as coisas da mesma maneira. O que antes era apenas uma "boca" agora já não o é, porque finalmente percebi que está completamente errada. O voto continua a ser a arma do povo. E é através dele que o dito pode exprimir o que lhe vai na alma.

 

Não escrevo para os fundamentalistas, para os do partido do coração. Para esses nada mais conta senão a doutrina ligada à sigla do seu partido (qualquer doutrina que seja ela).

 

Não escrevo para os indecisos. Esses apenas o são nas sondagens porque, bem lá no fundo, eles sabem em quem votar. Apenas não o dizem logo de início porque têm vergonha, porque gostam de fazer suspense, porque consideram o voto secreto e não têm que apregoar aos 7 ventos onde vão por a cruzinha, enfim, não acredito que os chamados indecisos o sejam na verdade.

Não há discurso de um qualquer político que faça alguém mudar de idéias no último momento.

Não há programa que possa ser apreciado atempadamente pelo cidadão que vai votar, em consciência.

 

Escrevo, portanto, para os outros, para os abstencionistas.

Aquela força política que costuma ganhar quase todas as eleições.

E que geralmente é acusada de não ter votado porque o tempo estava bom e foi para a praia.

E escolho este momento porque este ano 3 votações teremos pela frente.

 

É nestas votações que os abstencionistas poderão dizer aquilo que realmente lhes vai na alma.

Que não acreditam na classe política portuguesa.

Que não acreditam nas propostas que essa mesma classe política apresenta para cada uma das situações.

Que não abdicaram dos seus direitos de cidadania e que o exerceram.

Mas, nas aulas de cidadania, nunca nos explicaram todas as hipóteses do voto.

Ou bem que se vota em alguém (mesmo que não gostemos), ou votamos nulo (onde aproveitamos para dizer uns palavrões mas que ninguém lerá), ou nos abstemos - o que fica por dizer aqui é que abstenção é abdicar do direito de nos expressarmos livremente - e direito abdicado é direito perdido.

 

Penso que já evoluímos o bastante da fase do "eu não votei nele, ele não manda em mim". Já todos descobrimos que isso é uma parvoíce.

 

Também já começamos a perceber que a figura menos comentada pelos partidos, pelos politólogos e pela comunicação social em geral é o voto branco.

 

Porque sim, esse é poderoso.

Esse tem um significado!

Significa que o eleitor apreciou as propostas e decidiu. Decidiu que nenhuma das propostas lhe é favorável. Decidiu que nenhuma das propostas apresenta critérios que sejam uma mais valia para o povo. Decidiu que nada lhe interessa.

Mas, enquanto o eleitor abstencionista exprime a opinião "NÂO ME INTERESSO", o eleitor que vota em branco exprime a opinião "NÂO QUERO".

E esta, meus amigos, se em número suficiente, não mais poderá ser ignorada pelas forças que exercem o poder no país dos mexilhões.

Nem mais a comunicação social se referirá aos votos brancos en passant...

Nem mais os partidos a deixarão de a ter em conta...

 

Porque, na realidade, o voto é a arma do povo, e o povo pode muito bem decidir não a disparar em qualquer direcção, muito menos quando a oferta se demonstra demagógica, propagandista, ou apenas apresenta o desejo do poder pelo Poder.

 

Deixo aqui o meu apelo:

ABSTENCIONISTAS, VOTEM!

COMPAREÇAM!

MOSTREM QUE NÂO SE DEMITIRAM!

E VOTEM EM BRANCO se esse for o vosso desejo.

 

Mas, se não votarem, se se abstiveram, pelo menos sejam coerentes e no fim não se queixem. Foi o que proporcionaram!

Mais ninguém tem a culpa de maiorias absolutas, por exemplo.

 

 



publicado por amexilhoeira às 21:47
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
Feliz Natal e Próspero Ano Novo de 2009

Mal seria que nesta altura do ano nós, pequenos mexilhões desta grande nação, não aproveitássemos para nos desejar mutuamente festas felizes e desejos fantásticos para o ano que entra.

 

E assim é: o ano que ainda não acabou foi uma bela porcaria, pelos motivos que todos conhecemos.

O ano que vem será seguramente melhor...

OHH pobres de espírito....

Não sabeis vós que a política é a primeira cumpridora da lei da gravidade, lei esta mais importante que a Constituição da República, e simultâneamente aplica uma das famosas leis de Newton? Aquela que diz que para uma acção existe sempre uma reacção? Ora, juntando  a gravidade com o nosso estimado Newton obteremos algo que se poderá chamar o GRAVNEWTON!

A acção dos políticos, bancários e afins que sobem, sobem e a reacção gravítica de todos os outros milhões como nós que descem, descem....

 

Mas hoje não queria comentar nada disto.

Há uma coisa que me faz espécie.

Nesta altura do ano, bem como no carnaval, páscoa, férias, surgem, vindos não se sabe de onde, reforços na ordem dos 2500 efectivos da GNR para patrulharem (bem escondidinhos) as nossas mortíferas estradas.

Eu cá por mim até acho bem que se patrulhe mais e melhor, porque isso significa mais multas, mais trabalho para uma data de gente, um acréscimo para os os cofres do estado que nos poderá aliviar um pouco a carga fiscal (nada se perde, tudo se transforma - pagas mais em multas e menos em impostos ahahahah ).

 

Agora, a minha dúvida: onde páram esses 2500 efectivos durante o resto do ano? São contratados à tarefa só para as festividades? Ou são escondidos num qualquer contentor onde ficam bem congeladinhos até que surja a necessidade de reforços? Porque não quero acreditar que esses 2500 reforços andem todo o ano por aí, sem nada que fazer a não ser esperar a próxima OPERAÇÂO ANO NOVO.

Ou, pior ainda, são desviados dos seus habituais afazeres de prevenção, investigação, captura de criminosos, traficantes e outros meliantes que tais, manutenção da ordem pública, entre outras missões que lhes são cometidas, para apenas se dedicarem ao criminoso do alcatrão, o bandido que atravessa localidades à estonteante velocidade de 53 km/h, os energúmenos que circulam nas auto-estradas a 134 km/h, mas esquecendo-se de mandar encostar o civilizado cidadão condutor que circula a 80 km/h na faixa do meio e provocando grandes carambolas atrás dele, enfim descaracterizando automóveis de grande cilindrada, utilizando radares para a frente e para trás, postos fixos de controlo, mega-operações que todas as noites detêm 20 ou 30 idiotas que persistem em conduzir fora-da-lei?

Já repararam que nestas ocasiões festivas não se capturam assaltantes de casas, bancos, carteiristas, assaltantes de velhinhas, gangs, traficantes de droga, homicidas, fungicidas e pesticidas, enfim, apenas condutores?

E ainda existem aquelas classes que são os intocáveis.

Engraçado: Vejam só como são as culturas: Na Índia um intocável é um pária, escumalha, não tem sequer condição humana.

Mas cá são os que conseguem levar à falência instituições que valem vários muitos milhões de euros, que logo de seguida têm novas instituições que lhes são dadas de bandeja, que também afundam e nada lhes acontece, ninguém os responsabiliza, nada, nicles, batatóides.

Eu até suponho que o currículo de um gestor em Portugal só é enriquecido pelo nº de empresas que destrói!



publicado por amexilhoeira às 00:49
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Acordo Ortográfico

Memorandum

 

 

 

 

Excelentissimo Sr Director Geral

 

Na ultima reuniao de Direccao desta nossa empresa foi tomada a decisao de se proceder a uma revisao do Acordo Ortografico tendo em vista a poupanca de tempo aos nossos colaboradores omitindo a pontuacao e a acentuacao dos eventuais textos que por via das suas inerentes funcoes fossem obrigados a efectuar tendo essa omissao resultado numa poupanca de tempo substancial que revertera na putativa reorientacao dos nossos colaboradores para outras funcoes quica desperdicadas favorecendo assim a economia interna da empresa e por acrescimo colaborando nos esforcos dos nossos governantes para a saida da crise macroeconomica que o pais atravessa

De facto tendo em consideracao que na lingua portuguesa mais de trinta por cento das palavras carecem de pontuacao bem como a pontuacao das frases obriga a releitura para convenientemente se poder expressar a ideia que se tem em mente conseguimos ganhos de tempo da ordem dos dois por cento tendo os nossos colaboradores utilizado esse tempo extra para estudarem as particularidades desta nossa lingua patria e desta forma melhorarem os seus textos para uma leitura clara e perceptivel afastando de uma vez por todas as possibilidades de ocorrencia de mal entendidos e leituras dubias do material por eles produzido nomeadamente a expedicao de notas de encomenda e a emissao de facturas entre outras actividades de relevancia para a prossecucao dos objectivos da nossa empresa tais como a embalagem dos produtos e os manuais de funcionamento dos nossos equipamentos o que levara espera se a um manuseamento mais cuidado por parte dos consumidores e a uma consequente diminuicao dos acidentes de caca e pesca bem como todos os requisitos que semelhante material necessita a nivel legal como licencas de uso e porte de arma para a caca e licencas de pesca para que os nossos clientes nao tenham de modo algum problemas legais com as autoridades vigentes como guardas florestais guarda rios e guardas nacionais republicanos entre outros guardas

De molde a tornar visivel toda esta mudanca de operacao bem como para mostrar ao mundo em geral que tal politica nao e de todo descabida e que eventualmente nos poderemos tornar um exemplo a seguir em todo o mundo lusofono e para dar cumprimento a directiva emanada dessa mesma reuniao de direccao foi mudado o logotipo em todo o material da empresa de modo a reflectir tal tomada de posicao e estando ja em funcionamento pelo menos o papel de carta tal como podera observar no topo deste mesmo memorandum certo de que obtera a aprovacao de Vossa Excelencia visto que foi Vossa Excelencia quem determinou tal mudanca

Por tudo o exposto recomendo vivamente que se mantenha tal politica e quica leva la a uma utilizacao mais generalizada porque assim menos possibilidades de erro ou de interpretacao errada acontecerao

 

Com os meus melhores cumprimentos

Joaquim Hipolito Marcal Colaco

 



publicado por amexilhoeira às 23:19
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