Terça-feira, 17 de Março de 2009
O VOTO É A ARMA DO POVO

Quando era mais miudo, aconteceu algo neste país de mexilhões que teve um nome bastante engraçado: o Verão Quente de 1975.

Era uma época em que tudo o que se dizia, se não de esquerda pura, era políticamente incorrecto.

Por outro lado, quem falasse apenas sobre extrema esquerda era considerado pura e simplesmente algo que variava entre marxista, leninista ou estalinista.

Enfim, tanto se era preso por ter cão como por não ter e o resultado era quase sempre o mesmo: quem pintava paredes, acabava por andar à lambada.

Quem colava cartazes acabava por andar à lambada.

Quem não tinha nada para fazer acabava por andar à lambada.

O Verão Quente de 1975 tinha como desporto nacional o andar à lambada, ponto final.

Nessa altura, existia também um grupo denominado de Anarquistas.

Esses limitavam-se a mandar umas bocas, algumas mais ou menos consistentes ou coerentes, outras nem por isso.

Lembro-me de uma em particular:

"SE O VOTO É A ARMA DO POVO, NÃO VOTES PORQUE FICAS DESARMADO"

 

Agora, que estou mais velhote, já não entendo as coisas da mesma maneira. O que antes era apenas uma "boca" agora já não o é, porque finalmente percebi que está completamente errada. O voto continua a ser a arma do povo. E é através dele que o dito pode exprimir o que lhe vai na alma.

 

Não escrevo para os fundamentalistas, para os do partido do coração. Para esses nada mais conta senão a doutrina ligada à sigla do seu partido (qualquer doutrina que seja ela).

 

Não escrevo para os indecisos. Esses apenas o são nas sondagens porque, bem lá no fundo, eles sabem em quem votar. Apenas não o dizem logo de início porque têm vergonha, porque gostam de fazer suspense, porque consideram o voto secreto e não têm que apregoar aos 7 ventos onde vão por a cruzinha, enfim, não acredito que os chamados indecisos o sejam na verdade.

Não há discurso de um qualquer político que faça alguém mudar de idéias no último momento.

Não há programa que possa ser apreciado atempadamente pelo cidadão que vai votar, em consciência.

 

Escrevo, portanto, para os outros, para os abstencionistas.

Aquela força política que costuma ganhar quase todas as eleições.

E que geralmente é acusada de não ter votado porque o tempo estava bom e foi para a praia.

E escolho este momento porque este ano 3 votações teremos pela frente.

 

É nestas votações que os abstencionistas poderão dizer aquilo que realmente lhes vai na alma.

Que não acreditam na classe política portuguesa.

Que não acreditam nas propostas que essa mesma classe política apresenta para cada uma das situações.

Que não abdicaram dos seus direitos de cidadania e que o exerceram.

Mas, nas aulas de cidadania, nunca nos explicaram todas as hipóteses do voto.

Ou bem que se vota em alguém (mesmo que não gostemos), ou votamos nulo (onde aproveitamos para dizer uns palavrões mas que ninguém lerá), ou nos abstemos - o que fica por dizer aqui é que abstenção é abdicar do direito de nos expressarmos livremente - e direito abdicado é direito perdido.

 

Penso que já evoluímos o bastante da fase do "eu não votei nele, ele não manda em mim". Já todos descobrimos que isso é uma parvoíce.

 

Também já começamos a perceber que a figura menos comentada pelos partidos, pelos politólogos e pela comunicação social em geral é o voto branco.

 

Porque sim, esse é poderoso.

Esse tem um significado!

Significa que o eleitor apreciou as propostas e decidiu. Decidiu que nenhuma das propostas lhe é favorável. Decidiu que nenhuma das propostas apresenta critérios que sejam uma mais valia para o povo. Decidiu que nada lhe interessa.

Mas, enquanto o eleitor abstencionista exprime a opinião "NÂO ME INTERESSO", o eleitor que vota em branco exprime a opinião "NÂO QUERO".

E esta, meus amigos, se em número suficiente, não mais poderá ser ignorada pelas forças que exercem o poder no país dos mexilhões.

Nem mais a comunicação social se referirá aos votos brancos en passant...

Nem mais os partidos a deixarão de a ter em conta...

 

Porque, na realidade, o voto é a arma do povo, e o povo pode muito bem decidir não a disparar em qualquer direcção, muito menos quando a oferta se demonstra demagógica, propagandista, ou apenas apresenta o desejo do poder pelo Poder.

 

Deixo aqui o meu apelo:

ABSTENCIONISTAS, VOTEM!

COMPAREÇAM!

MOSTREM QUE NÂO SE DEMITIRAM!

E VOTEM EM BRANCO se esse for o vosso desejo.

 

Mas, se não votarem, se se abstiveram, pelo menos sejam coerentes e no fim não se queixem. Foi o que proporcionaram!

Mais ninguém tem a culpa de maiorias absolutas, por exemplo.

 

 



publicado por amexilhoeira às 21:47
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2008
Feliz Natal e Próspero Ano Novo de 2009

Mal seria que nesta altura do ano nós, pequenos mexilhões desta grande nação, não aproveitássemos para nos desejar mutuamente festas felizes e desejos fantásticos para o ano que entra.

 

E assim é: o ano que ainda não acabou foi uma bela porcaria, pelos motivos que todos conhecemos.

O ano que vem será seguramente melhor...

OHH pobres de espírito....

Não sabeis vós que a política é a primeira cumpridora da lei da gravidade, lei esta mais importante que a Constituição da República, e simultâneamente aplica uma das famosas leis de Newton? Aquela que diz que para uma acção existe sempre uma reacção? Ora, juntando  a gravidade com o nosso estimado Newton obteremos algo que se poderá chamar o GRAVNEWTON!

A acção dos políticos, bancários e afins que sobem, sobem e a reacção gravítica de todos os outros milhões como nós que descem, descem....

 

Mas hoje não queria comentar nada disto.

Há uma coisa que me faz espécie.

Nesta altura do ano, bem como no carnaval, páscoa, férias, surgem, vindos não se sabe de onde, reforços na ordem dos 2500 efectivos da GNR para patrulharem (bem escondidinhos) as nossas mortíferas estradas.

Eu cá por mim até acho bem que se patrulhe mais e melhor, porque isso significa mais multas, mais trabalho para uma data de gente, um acréscimo para os os cofres do estado que nos poderá aliviar um pouco a carga fiscal (nada se perde, tudo se transforma - pagas mais em multas e menos em impostos ahahahah ).

 

Agora, a minha dúvida: onde páram esses 2500 efectivos durante o resto do ano? São contratados à tarefa só para as festividades? Ou são escondidos num qualquer contentor onde ficam bem congeladinhos até que surja a necessidade de reforços? Porque não quero acreditar que esses 2500 reforços andem todo o ano por aí, sem nada que fazer a não ser esperar a próxima OPERAÇÂO ANO NOVO.

Ou, pior ainda, são desviados dos seus habituais afazeres de prevenção, investigação, captura de criminosos, traficantes e outros meliantes que tais, manutenção da ordem pública, entre outras missões que lhes são cometidas, para apenas se dedicarem ao criminoso do alcatrão, o bandido que atravessa localidades à estonteante velocidade de 53 km/h, os energúmenos que circulam nas auto-estradas a 134 km/h, mas esquecendo-se de mandar encostar o civilizado cidadão condutor que circula a 80 km/h na faixa do meio e provocando grandes carambolas atrás dele, enfim descaracterizando automóveis de grande cilindrada, utilizando radares para a frente e para trás, postos fixos de controlo, mega-operações que todas as noites detêm 20 ou 30 idiotas que persistem em conduzir fora-da-lei?

Já repararam que nestas ocasiões festivas não se capturam assaltantes de casas, bancos, carteiristas, assaltantes de velhinhas, gangs, traficantes de droga, homicidas, fungicidas e pesticidas, enfim, apenas condutores?

E ainda existem aquelas classes que são os intocáveis.

Engraçado: Vejam só como são as culturas: Na Índia um intocável é um pária, escumalha, não tem sequer condição humana.

Mas cá são os que conseguem levar à falência instituições que valem vários muitos milhões de euros, que logo de seguida têm novas instituições que lhes são dadas de bandeja, que também afundam e nada lhes acontece, ninguém os responsabiliza, nada, nicles, batatóides.

Eu até suponho que o currículo de um gestor em Portugal só é enriquecido pelo nº de empresas que destrói!



publicado por amexilhoeira às 00:49
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007
É Agora que nos vingamos

Exmos Senhores

 

Hoje,2 de Novembro de 2007, caiu mais uma notícia bombástica neste Portugal dos Pequeninos:

Para disciplinar o trânsito nas estradas, vai haver mais um dístico para colar no tão já ocupado vidro pára-brisas do nosso carrito.

O dístico do bom, médio ou mau condutor vai-se juntar ao selo do seguro, ao selo da inspecção periódica e, se for caso disso, à autorização de estacionamento. Com jeitinho, lá se arranjará uma nesga para espreitarmos para a estrada....

 

Mas afinal que dístico é este?

Pois, é mais ou menos assim:

Alguém lá no Mistério da Administração Interna surgiu com a idéia de que para disciplinar um pouco as coisas nas estradas se deveriam rotular os condutores consoante a sua participação e culpa em acidentes. Consoante o nº de acidentes se atribuirá um dístico de determinada côr.

O programa em cartaz chama-se Risco Zero e divide os condutores em 3 categorias.

RISCO MÍNIMO - para quem não tenha tido culpa em acidentes nos últimos 3 anos ou tenha tido culpa em 1 acidente nos últimos 10 anos. Dá direito a dístico verde.

RISCO MÉDIO - aquele que teve culpa em dois acidentes no último ano ou em três nos últimos 10 anos. Ganha o direito de utilizar um dístico cor de laranja.

RISCO MÁXIMO - para os que provocaram mais de 2 acidentes o ano anterior ou que foram responsabilizados por 4 ou mais acidentes na última década. Estes têm reservado o dístico vermelho.

 

E quem vai dar esta informação? As seguradoras, claro.

Mas estas apenas dão a informação a uma task-force que analisa o perfil de cada condutor, que decide qual o dístico que cada um ficará obrigado a colocar no canto inferior esquerdo do pára-brisas, em local bem visível, e remeterá essa informação para a companhia de seguros que, essa sim, fará a distribuição dos lindos selitos pelos felizes contemplados.

 

O que me levanta uma dúvida: estando este governo apostado em acabar com os funcionários públicos, quem irá contratar para constituir a dita cuja task-force? Decerto não recorrerá aos funcionários que se encontram em quadros de excedentários porque esses são isso mesmo: excedentários...

Por outro lado, essa equipa terá que ser necessáriamente algo numerosa: para analisar e decidir de todos os condutores deste país, e pelo que eu vejo todos os dias nas vias de entrada nas grandes cidades (que foi? vejo na televisão todas as manhãs enquanto me visto, ok?) não são assim tão poucos...

Quer-me cá parecer que a task-force é uma oportunidade de ouro para arranjar mais uns quantos jobs for the boys and girls......

 

Mas ainda não entrámos noutras questões da classificação!

Esta é apenas um exemplo. Começa-se nos condutores, acaba-se nas pessoas em geral.

Amanhã teremos alguma sinalética para os que pagam impostos, para os que os pagam assim-assim e para os que os não pagam de todo.

Ou, mais engraçado ainda:

Um emblema para os que fazem sexo todos os dias - emblema verde. Para os que fazem 1 vez por semana, mas todas as semanas - emblema laranja. Para os que fazem 1 vez por ano, quase todos os anos - emblema vermelho. Claro que os que se encontram em categorias intermédias teriam emblemas com tonalidades cambiantes ehehehe.

 

Apanhei-vos!!

 

Devem estar a pensar que sou uma pessoa extraordináriamente imaginativa para inventar uma coisa destas.

Pois não sou. Sou só um bocadinho imaginativo e não inventei as classificações.

 

Na Alemanha do III Reich as pessoas eram classificadas consonte a sua religião - quem não se lembra das "estrelas de david" amarelas? - ou consoante a sua orientação sexual - as pessoas homossexuais eram obrigadas a usar um triângulo côr-de-rosa nas suas roupas para claramente mostrarem ao mundo as suas preferências.

Um pouco na linha do que se pretende com o dístico no carro: no canto inferior do esquerdo do pára-brisas, em local bem visível!

 

Mas nesta fúria classificativa que agora se avizinha eu também proponho uma:

Porque não classificar os políticos?

Com um sinalinho verde no meio da testa os muito bons - mas não mais que 5% em todo o aparelho de estado (afinal, também não pode haver mais de 5% de funcionários públicos com a avaliação de excelente nos serviços, não é?).

Já os menos bons seriam marcados com um sinalito cor de laranja também no meio da testa. Finalmente a grande maioria: um sinalão vermelho do tamanho de toda a testa.

Este sistema traria algumas vantagens: Saberíamos distinguir logo nas campanhas eleitorais quais os políticos que os conviriam sem gastar muito dinheiro: bastava que se passeassem que logo todos viam das qualidades de cada um.

Se um político se portasse mal, seria despromovido à cor abaixo. Todos fariam o melhor possível para conseguirem o sinalinho verde. Aí, sim, teríamos políticos esforçados na causa do serviço público!

Acabariam as discrepâncias do estilo: todos os trabalhadores deste país são obrigados a reformarem-se aos 65 anos. Aos políticos é exigido que trabalhem até aos 50 anos?

Testa vermelha para quem inventa estas regras, digo eu!

 

 



publicado por amexilhoeira às 22:36
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